VÍDEO CONFERÊNCIA
Alguns dos portalegrenses muito queridos, dentre tantos, foram a Câmara de Portalegre para participar juntamente com a presidente Adelaide Teixeira (segunda mulher na foto) da vídeo conferência entre as duas Portalegre. Lá estavam Paula/Albano Silva, Luis Pargana, Aurélio Bentes Bravo, Francisco Calha e, é claro, Manoel Isaac Correia que me enviou a foto.
AGRADECIMENTOS
Ante o convite enviado para participação nas comemorações alusivas aos 250 anos de Portalegre do Brasil, o jornalista Manoel Isaac Correia encaminhou a Prefeitura a seguinte mensagem:
À Prefeitura de Portalegre-RN
Ao Prefeito de Portalegre-RN
Excelência,
Curvo-me perante todo o Povo Irmão Portalegrense, perante V. Exª que o representa e perante todas a entidades que cumprimento respeitosamente.
É com forte batimento de coração e com os olhos marejados pela água salgada de um velho Atlântico que nos separa e nos une, que recebi, emocionado, o Vosso convite para a participação nos 250 anos da fundação da Nossa Portalegre.
Estarei aí em espírito e, aqui, presenciarei a ligação em videoconferência que unirá as nossas duas Portalegres. E o nosso querido António Martinó representará a nossa vontade de aí estar convosco. Estamos aí, pois, através dele.
As rainhas de Portugal não usam coroa, porque esta foi oferecida pelo rei de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, depositada a seus pés no seu santuário da nossa (e vossa) vizinha Vila Viçosa.
D. Miguel Carlos, ou a Providência, por ele, não podia ter escolhido dia mais belo para a fundação de Portalegre, que foi e é também Dia da Mãe. Que Nossa Senhora da Conceição, Rainha de Portugal - que neste Seu Dia aqui veneramos com feriado nacional - vos bendiga, vos proteja e vos abençõe.
Quis Deus ou o destino que as nossas Portalegres se tenham (re)encontrado, e apesar do longe e da distância, dos ventos, das torrentes e dos desertos, desde que nos descobrimos que não voltaremos a separar-nos. Esta é uma certeza absoluta, porque temos um destino que se tocou e que jamais mudará: é que dois irmãos reencontrados têm um amor eterno!
Neste dia tão especial, tenho - temos - um orgulho enorme em testemunhar e vivenciar este amor, como irmão mais velho de mão dada com o irmão mais novo.
Neste dia tão especial, tenho - temos - um orgulho enorme em testemunhar e vivenciar este amor, como irmão mais velho de mão dada com o irmão mais novo.
É neste encontro, neste dar de mãos que construímos o mundo, na certeza de que o Amor é a força maior do Homem.
Tenho uma esperança imensa em Portalegre-RN e no Brasil. Vós sois o futuro e em vós nos revemos com orgulho e confiança.
Desejo voltar e beijar a vossa-minha terra de Portalegre-RN e a reencontrar os muitos e muito queridos amigos e todos os Portalegrenses que daqui, desta outra velha Portalegre, saúdo e beijo fraternalmente neste dia tão especial.
VIVA PORTALEGRE
Manuel Isaac Correia
PORTALEGRE DE NÓS
Esse foi o título escolhido pelo jornalista Manoel Isaac para o texto que produzi, a seu pedido, para o jornal Alto Alentejo e Fonte Nova e já publicado lá. O que me permite repetí-lo aqui.
De uma mistura índia, negra e européia nasceu essa grande nação chamada Brasil. De índios, negros e brancos portugueses nasceu Portalegre do Brasil. Da Vila Nova de Índios, Serra de Sant’anna até o seu nome atual, determinado em 1761, pelo juiz de fora de Olinda, o português norte-alentejano Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco, está encravada no Nordeste do Brasil, especificamente, na região oeste do estado Rio Grande do Norte, PORTALEGRE, um município cuja permanência secular foi de anonimato e de expressividade jamais explorada.
Mas num processo ainda recente e tímido, esse pequeno lugar, de pouco mais de sete mil habitantes, descortina-se para confirmar através de pesquisas históricas a marca da presença portuguesa na sua fundação e mostrar as suas potencialidades turísticas, as quais a natureza lhe dotou e, por compromisso com o desenvolvimento, seus gestores, a partir de 2001, passaram a explorar como fonte de renda para o seu povo.Uma terra rica em beleza e em potencialidades para a agroindústria, Portalegre adentra, a partir de 2004, o sul de Portugal e se revela à sua co-irmã portuguesa, atravessando dois séculos e um oceano, reduzindo distâncias, inclusive socioeconômicas para acrescentar ao livro de sua história um novo capitulo na sua contemporaneidade; a reafirmação da origem do seu nome.
Nesse 08 de dezembro de 2011, de acordo com o que reza a história, fundamentada em documentos minuciosamente pesquisados por professores-doutores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, dentre eles a professora Fátima Lopes e, posteriormente, pelo seu orientando de mestrado, o portalegrense Thiago Alves Dias, Portalegre completa 250 anos de existência sem, contudo, receber numa data tão significativa, ações marcantes, por parte do governo do Estado, pelos passagem de seus dois séculos e meio de existência, como merece.
Com 250 anos, Portalegre, infelizmente, só subtrai desse tempo oito anos como município turístico do Estado, cuja principal característica que convida à visitação é o seu clima ameno e fresco, durante a maior parte do ano, com temperatura que chega a menos de 18 graus centígrados, sobretudo em julho e agosto. Uma peculiaridade que o faz diferente da grande maioria dos demais 166 municípios do Rio Grande do Norte.
Determinado a mostrá-la para o estado, o país e até o exterior, o então prefeito Manoel de Freitas Neto (2001/2004) estabeleceu como meta no seu primeiro ano de gestão ( 2001) transformar Portalegre em município turístico e o inseriu, já em 2002, no Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PMNT), desenvolvido pelo Governo Federal do Brasil, cujo objetivo era proporcionar aos pequenos municípios a exploração das suas potencialidades, disponibilizando orçamento para investimentos no setor.
E para buscar esses recursos, concorrer com projetos da área, Manoel Neto criou a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente; ofereceu incentivos fiscais a investidores hoteleiros, para que a cidade se dotasse da estrutura mínima de acolhimento aos visitantes. Foi de uma parceria público/privada que Portalegre ganhou o seu primeiro hotel, construído pelo empresário João Sabino, cuja visão de futuro, associada às potencialidades do município e a credibilidade na administração, o impulsionou a esse novo e, felizmente, rentável empreendimento: o Hotel Portal da Serra, inaugurado em 2003. No mesmo ano, a desconhecida Portalegre do Brasil entregava a população e aos futuros visitantes mais dois atrativos locais: o Terminal Turístico da Bica e o Mirante Boa Vista.
E enquanto a gestão fazia a sua parte levando o município a ser visto em eventos turísticos, ratificando o convite para que os potiguares e os brasileiros de outros estados, o incluíssem em seus roteiros de viagem, outros pequenos hotéis, denominados no Brasil de pousadas, também se ergueram por lá.
Criar a hospedagem, a infra-estrutura mínima de lazer não era suficiente, pois a população também deveria estar preparada pessoal e profissionalmente para acolher quem chegava e oferecer à sua terra como o melhor produto, para tanto a administração municipal, nesse mesmo período, também efetivou parcerias com serviços nacionais de preparação de mão de obra e produtos turísticos.
Mas, nenhuma cidade turística se desenvolve sem o apoio de todas as esferas do Poder público e Portalegre, infelizmente, não estava fora desse contexto. A sua distância de 377 km) da capital do estado, Natal, principal porta de entrada para o turismo potiguar, pelo seu potencial de praias, era e, ainda, é uma barreira a ser transposta, cujos obstáculos maiores são: a qualidade das nossas rodovias e a segurança oferecida. Ações de responsabilidade do governo do Rio Grande do Norte e, parte, do governo federal que, pela ausência de prioridade, não se efetivam e acaba por inibir o crescimento no número de visitantes aos municípios turísticos do chamado Pólo Serrano, onde se insere Portalegre.
O poder público municipal, na atualidade, também aparece como ineficiente no crescimento do turismo local, pois além da limitação financeira, esbarrou na falta de criatividade dos seus auxiliares para impulsionar essa indústria sem chaminés. Deixando de encontrar outros mecanismos que pudessem alavancar, pelo menos, o turismo rural no município, uma alternativa que não necessitaria de grandes investimentos. Quase parou até na preservação do que já existe e sequer se deu conta que a cidade não dispõe nem mesmo de um posto de informações turísticas; um mapa local, ou qualquer peça publicitária que mostre o que há para se vê, fazer ou aonde ir em Portalegre.
A propaganda institucional é praticamente nula, e a demanda de turistas passa a ser mérito, maior, do empresário João Sabino que cria eventos em seu hotel, investe em propaganda, divulgando ofertas as quais atraem, a cada ano, mais e mais hóspedes, que vem para festivais que acontecem no próprio hotel, como é caso do Festival de Fondue, realizado anualmente, em agosto, graças ao frio do período. As festas locais tradicionais, especificamente o São João, em junho, e nos últimos três anos, o Festival Gastronômico, em setembro, tentam se firmar como grandes atrativos da cidade e região, no entanto essa última se perde pela falta de incentivo a culinária local, visto que na sua terceira edição, que aconteceu em 2011, ficou marcado pela ausência total de iguarias da terra.
O município tem como principal “carta-convite” além da beleza panorâmica da Serra, com sua altitude superior a 600 metros; a cachoeira do Pinga, uma queda d’água perene, com 100 metros, que se soma ao Terminal Turístico da Bica, uma fonte de água cristalina, também perene, muito apreciada para o banho, além do bar-restaurante, Mirante (Miradouro) Boa Vista, assim nominado pela bela paisagem que se aprecia a partir da sua localização estratégica.
O campo, ou zona rural do município, potencialmente viável, infelizmente não foi devidamente desbravado para levar, “pelos caminhos da roça”, o visitante metropolitano, que jamais viu a produção artesanal de farinha, a partir da plantação da mandioca, tubérculo que dá origem a farinha (ingrediente que faz a nossa farofa) e a goma ( que fabrica os nossos bolos e tapiocas) e desconhece a fabricação da rapadura, um doce duro, tradicionalmente nordestino, advindo do caldo produzido com a moagem da cana de açúcar. O turista da metrópole não chegou ao campo, nem para conhecer a vida rural local, tampouco para usufruir da abundante fruticultura da qual o município dispõe.
No entanto, a castanha de Portalegre já viaja rumo ao mercado nacional e europeu e o suco integral de caju, ocupa as prateleiras das grandes redes de supermercados do Brasil, rotulado por marcas da grande indústria nacional, as quais potencializam o produto e omitem a origem da produção, e o doce sabor que desce da Serra, apreciado em todas as mesas do Brasil, permanece desconhecido, visto que não dispomos, ainda, do processo final de industrialização dos nossos “sumos” (falando a linguagem de Portugal) para impor o nosso rótulo.
Acerola, caju, cajá, graviola, maracujá, goiaba, manga e tantas outras frutas também se transformam em sucos processados, ensacados e congelados, que denominamos de polpa de frutas, os quais se transformam em bebida pronta para consumo, somente com a adição proporcional de água e açúcar. Essas polpas, produzidas também por uma pequena indústria local, viabilizada a partir do associativismo rural, já ganham mercado fora do município e, diferente do suco integral de caju ( que é comercializado em toneladas, para grandes indústrias) as polpas levam um rótulo próprio; Sabor de Portalegre.
Decidido e dedicado a explorar todas as potencialidades da nossa terra, o agrônomo Manoel de Freitas Neto aliou-se aos produtores locais e, a frente desse processo, alavanca a agroindústria portalegrense, que já dispõe de uma fábrica de suco integral de caju, uma unidade beneficiadora de castanhas de caju, uma casa de produção de mel de abelhas e uma mini-fábrica de polpa de frutas, o que significa aproveitamento da produção, emprego e renda. Essa produção, derivada das frutas locais, abastece as escolas, dentro do programa da merenda escolar existente na educação pública brasileira. A produção de sumos se firma, inclusive, como modelo para outros estados brasileiros, já que da região norte do país, especificamente do estado do Amazonas, vieram agrônomo e técnicos conhecer e copiar o nosso processo de industrialização de suco de frutas.
Portalegre ainda está dotada de outras potencialidades, sobretudo histórico-cultural, que não são exploradas. O município precisa, de forma urgente, salvar e investir no seu principal e secular monumento; a Casa de Câmara & Cadeia, patrimônio arquitetônico que remonta a fundação da Vila e corrobora a presença dominante da Coroa portuguesa nos mais distantes rincões do Brasil. Outro marco da colonização na Serra está na descoberta de pedras, com a letra “R” talhadas, cujo acesso aos locais aonde estas se encontram, não está devidamente sinalizados como caminho para a visitação turística.
Temos 250 anos de fundação; de história; de lendas e de cultura popular, e apenas oito de exploração dessa riqueza inesgotável. A dança de São Gonçalo, um culto religioso do lugar, atividade cultural mais antiga da Serra, ficou anos sem a atenção devida e clama por incentivos para se manter. É uma fonte de pesquisa com uma característica intrigante e estigante; é de honra a um santo católico, que é de origem portuguesa e, tradicionalmente só, e somente só, é organizada e compartilhada por negros moradores em comunidades remanescentes de quilombos.
Como isso se deu?
Por que isso se dá?
Essa é uma tradição que luta por se perpetuar, dentre os jovens dessas comunidades, já não tão devotados como os avós e pais, pois com invasão cultural contemporânea, advinda com a televisão, que chega pelas antenas parabólicas que se espalham nos telhados e chão de terra batida onde vivem os nossos negros, predominantemente rurais, o moderno é o que mais atrai. E cabe ao poder público criar os incentivos para manter essa cultura.
Portalegre também não tem a sua história materialmente preservada em peças de museu, e não foi pela falta de recursos ou incentivo para tal, pois programas federais, já disponibilizaram recursos com essa finalidade, há poucos anos, cuja co-participação financeira do município era inexistente, faltou o projeto e a vontade política para a criação do nosso museu, e assim contar em escrita, relíquia e fotos parte da história do lugar.
Todavia, não é a inexistência temporária de mais espaços de atração turística que descredenciam a nossa Portalegre a ser visitada, pois ela dispõe de um patrimônio que não se encontra em qualquer lugar do Brasil, quiçá do mundo: a generosidade, simpatia, a alegria e a hospitalidade do seu povo.Essas características que tendem a se tornar raras na criatura humana é o maior cartão de visitas que a Portalegre do Brasil distribui.
Aqui não tem o cheiro e o sabor da sardinha na brasa, servida com batatas, mas tem a tapioca de massa de mandioca que os índios nos deixaram como legado culinário. Não tem a sofisticação e o sabor do vinho alentejano, mas tem o doce e natural sabor dos sumos, dádivas de Deus a quem está embaixo da linha do equador. Não comemos cereja após as refeições, porém nada se iguala ao deleite de chupar uma manga madura, recém colhida do frondoso pé que sombreia o quintal da casa de cada um. O grande escritor e cronista brasileiro, Artur da Távola dizia que; “...ao morrer, prestamos conta no céu das mangas que deixamos de chupar...”, na sua belíssima crônica intitulada “Manga pelo amor de Deus”, os portalegrenses certamente terão crédito de sobra quando o acerto de contas, com esse questionamento, chegar.
Não há o deleite da alma trazido pela beleza musical do fado, mas é possível alegrar a alma e o corpo pelo “rebolado” do forró. Nos falta as ruas estreitas e enladeiradas da Portalegre portuguesa, mas temos os caminhos largos e convidativos para um belo encontro com a natureza, com o nascer do sol e as noites de luar que clareiam a paisagem diurna e noturna do interior nordestino.Viver a realidade da nossa Portalegre é desfrutar, acima do nível do mar, da beleza inigualável do sertão potiguar.
Quando é que vocês chegam?
Estamos esperando com o coração cheio de alegria.


