Domingo, Novembro 27, 2011

DOMINGO, 27 DE NOVEMBRO DE 2011

SÉTIMO DIA

   No momento em que  corações e vozes se unem  em prece, pedindo luz para Carlinhos Viana Fonseca, cuja  passagem para a vida espitual  surpreendeu e entristeceu  a todos que o conheciam e o amavam, dedico   um dos mais belos poemas sobre a vida além da terra, escrito pelo grande poeta da liberdade, o baiano Antonio Frederico de Castro Alves, presenteado a humanidade através de Francisco Candido Xavier,  inserido na obra "Parnaso de Além-Túmulo", primeiro livro psicografado por Chico, o grande mediúm do Brasil, em 1932.


GOSTO
  
     A  uma alma sensível que   amava a poesia, como demonstrava Carlinhos Viana Fonseca na sua passagem entre nós,  dedico a beleza do poema,  e a verdade inserida nele, de que a vida continua...


MARCHEMOS

     *Castro Alves


Há mistérios peregrinos
No mistério dos destinos
Que nos mandam renascer;
Da luz do Criador nascemos,
Múltiplas vidas vivemos,
Para à mesma luz volver.


Buscamos na Humanidade
As verdades da Verdade,
Sedentos de paz e amor;
E em meio dos mortos-vivos
Somos míseros cativos
Da iniqüidade e da dor.


É a luta eterna e bendita,
Em que o espírito se agita
Na trama da evolução;
Oficina onde a alma presa
Forja a luz, forja a grandeza
Da sublime perfeição.


É a gota d’água caindo
No arbusto que vai subindo,
Pleno de seiva e verdor;
O fragmento do estrume,
Que se transforma em perfume
Na corola de uma flor.


A flor que, terna, expirando,
Cai ao solo fecundando
O chão duro que produz,
Deixando um aroma leve
Na aragem que passa breve,
Nas madrugadas de luz.

É a rija bigorna, o malho,
Pelas fainas do trabalho,
A enxada fazendo o pão;
O escopro dos escultores
Transformando a pedra em flores,
Em Carraras de eleição.


É a dor que através dos anos,
Dos algozes, dos tiranos,
Anjos puríssimos faz,
Transmutando os Neros rudes
Em arautos de virtudes,
Em mensageiros de paz.


Tudo evolui, tudo sonha
Na imortal ânsia risonha
De mais subir, mais galgar;
A vida é luz, esplendor,
Deus somente é o seu amor,
O universo é o seu altar.


Na Terra, às vezes se acendem
Radiosos faróis que esplendem
Dentro das trevas mortais;
Sua rútilas passagens
Deixam fulgores, imagens,
Em reflexos perenais.


É o sofrimento do Cristo,
Portentoso, jamais visto,
No sacrifício da cruz,
Sintetizando a piedade,
E cujo amor à Verdade
Nenhuma pena traduz.


É Sócrates e a cicuta,
É César trazendo a luta,
Tirânico e lutador;
É Cellini com sua arte,
Ou o sabre de Bonaparte,
O grande conquistador.


É Anchieta dominando,
A ensinar catequizando
O selvagem infeliz;
É a lição da humildade,
De extremosa caridade
Do pobrezinho de Assis.


Oh! Bendito quem ensina,
Quem luta, quem ilumina,
Quem o bem e a luz semeia
Nas fainas do evolutir;
Terá a ventura que anseia
Nas sendas do progredir.

Uma excelsa vos ressoa,
No universo inteiro ecoa:
Para a frente caminhai!
O amor é a luz que se alcança,
Tende fé, tende esperança,
Para o Infinito marchai!

   (Médium: Francisco Cândido Xavier )


* Castro Alves, o Poeta dos Escravos (14 de março de 1847 / 6 de julho de 1871)