segunda-feira, agosto 18, 2014

Segunda-feira, 18 de agosto de 2014


Manda quem pode, obedece quem... ?


Fotos: internet                 
                                                                   




  O cadeado posto na corrente que atrela o DEM de Portalegre às decisões da cúpula do Partido no Rio Grande do Norte ( para não dizer ao próprio poder do PMDB e os trunfos que tem  de benefício e de  prejuízos para e contra o Democratas), ou melhor a decisão do Senador José Agripino de dizer aos seus liderados, que eles não fazem o que querem, ganhou o mesmo destaque que  a tentativa (inútil) de “grito de liberdade” que o DEM, através do  ex-vereador José Augusto, entoou, acreditando que podia  assumir uma postura diferente dos  que tem o "rabo preso",  no resto do Estado. Ledo engano.



Ora, ora, quem conhece a política do RN, e algumas informações dos seus bastidores, percebe, e até sabe bem que voar livremente não é algo que os alguns do DEM portalegrense podem fazer. E a foto onde o "líder" (que não lidera) José Augusto aparece  cabisbaixo,  e visivelmente constrangido, e que segundo uma fonte, foi claramente colocado numa posição de que "aqui você não apita nada", reflete  o aprisionamento. 

Coincidentemente estava em Portalegre no dia da  primeira reunião onde o DEM  discutiu com a sua base, o "sonho"  de fazer "carreira solo", ou seja, não seguir o Senador  José Agripino, presidente do Partido,  no seu apoio a candidatura de Henrique Alves ao governo do Estado.


Li os escritos, do dia seguinte a reunião, ouvi algumas pessoas, mas  nada comentei, neste espaço. Silenciei porque sabia que tudo não passava de um sofisma. E não passou.  



Não deu outra, um mês depois do encontro  em um salão aberto vê-se uma reunião à portas cerradas, e como resultado uma "chave-roda" do tipo: “O que você pensa que é, quem vocês pensam que são ? ” dada pelos que tem mais poder e trunfos na mão. 
   
Não faltou nem mesmo a  "vigilância"  do olheiro mais confiável do Senador: o próprio filho, Felipe Maia, na tal reunião, certamente para certificar-se do resultado.  E agora vejo alguns bajuladores de plantão tentando  transformar  a subserviência  em habilidade política. É uma graça!

    A vontade de José  Augusto, como  líder, pelo visto  só prevalece na hora que ele "finca pé" para ser candidato a prefeito de Portalegre. Em eleições como a deste ano, vê-se que ele não  manda,  não tem base, nem apoio, nem capacidade para ser independente do tio-deputado, por isso  engole  os sapos e  é  também um sapo que outros engolem.


    A imprudência do DEM local, no caso o ex-vereador, em  "antecipar o que não ia adiantar", ou seja um suposto apoio a outro candidato, se não Henrique Alves, acabou por  promover a "vergonha" atual. 

   Sem o poder de seguir em frente  no propósito de não se juntar ao PMDB, de novo, restou  botar “o rabinho entre as pernas”  e ouvir, diante da própria base a qual  treinou para rebelar-se, a decisão (talvez até a contra-gosto) do deputado Getúlio Rêgo em marchar junto com o candidato do PMDB.  E com  o discurso da “marcha ré” se amparando nas alianças existentes em outros municípios, onde prefeitos apoiam Henrique e a sua reeleição à Assembléia, o que nem de longe, para mim, é justificativa.

    A eleição de Getúlio nunca esteve, nem está agora, atrelada a qualquer candidatura majoritária, muito menos a de Henrique Alves. Mas em política alegar  inverdades é  o  melhor  meio de mascarar  a realidade. A aliança com Henrique Eduardo Alves,  sobretudo para a base do Democratas portalegrense, é um prato tão indigesto quanto foi o apoio a Euclides Pereira, para prefeito, em 2008, guardada às devidas proporções e a diferença de motivos.


  Para mim, naquele ano a aliança aconteceu por falta de saída, visto o rumo que a jogada política tomou, e  para alguns era passada  como  uma providência para 2012. Talvez as razões de hoje, estejam mais ligadas a previdência. E em política é o processo, ou os processos que acabam determinando o caminho a seguir. É tudo uma questão de quem tem o poder, seja ele qual for, é quem indica o caminho. Manda quem pode, obedece quem... 

    Em sendo assim, com a  "batida do martelo" do verdadeiro líder do DEM de Portalegre, a reunião do início de julho, para discutir  o NÃO apoio ao candidato deputado Henrique Eduardo, tão bem divulgada, localmente, acaba de se consolidar em mais uma setença cujo verídito é de que  o ex-vereador José Augusto não decide nada. E que ele não está na política portalegrense para fazer o que quer e/ou gosta, e sim o que os outros determinam. Isso é tudo que lhe cabe como um  líder- liderado. Política diferente só faz quem é independente e pode se rebelar. E a eleição de 1996, neste contexto,   é emblemática.
  
 Agora, com a insatisfação do eleitor "bicudo” que já se manifesta, o DEM de Portalegre  precisa justificar o “Não a Henrique”,  DECIDIDO   em meados de julho, em “Sim vamos com Henrique”, DETERMINADO em meados de agosto.  

No mais, é fazer como  2008;  dizer que apoia, mas não votar. E quando abrirem-se  as urnas  e  contarem-se  os votos,  me digam se estou errada. Faltam  pouco mais de dois meses.
   



sexta-feira, agosto 15, 2014

Sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PORTALEGRE

   O prefeito de Portalegre, Neto da EMATER,  foi submetido a uma cirurgia no nariz, ontem, em Mossoró, por volta das 14 horas, consequência da violência que sofreu no último dia 31. 
   O prefeito está bem e deve receber alta, amanhã. Saúde!



A MORTE NÃO FAZ DIFERENÇA. OS VIVOS  A FAZEM.




     Em cada fato, ou a cada  dia  percebo o quanto o adágio popular que minha mãe tanto repetia tem verdade na sua máxima: "Quem quer ser bom ou morra ou se mude". E coloco isso  analisando o acidente que vitimou, na última quarta-feira,13,  sete pessoas, dentre elas o ex-governador de Pernambuco e candidato  à  Presidência da República, Eduardo Campos, a partir do que circula, principalmente,  nas redes sociais.

   Não que eu considere que Eduardo Campos tenha sido uma pessoa ruim, longe de mim tal conceito (ou pré-conceito) até porque  não sabia, e nem sei nada pessoal sobre ele. Estou no limite (pouco) da política e do político.

   No entanto, percebo uma  gana de fotos e "pensamentos" (frases) atribuídas a Eduardo Campos, circulando nas redes sociais,  de forma tão idolátra. 

E por que  só agora? Se ele  era e dizia  tudo que dizem que ele é  e disse, por que não havia esse carinho antes ?

Infelizmente, só se "reconhece" agora, porque ele morreu, trágica e inesperadamente. Não digo que prematuramente, porque morte prematura, ou não, é um conceito de religião e/ou crença.
Para algumas ela existe, para outras, não. Há, por exemplo, os que dizem e  são convencidos de que as pessoas morrem no dia e hora, exatamente, em que tem que morrer. Será ?

 Contudo, voltemos as  frases e fotos da rede. São 'louvações"  afirmativas  de "grande político" de um lado, de "família linda" do outro, e por aí vai. Algumas meras cópias da tele-invasão, que a mídia nos faz adotar e, pior, repetir. 


  A maioria  diz o que ouviu dizer, trocando o velho "control-c control-v", pelo "compartilhar". Eduardo Campos "virou" de repente, e quando não pode mais ser, no melhor candidato do Brasil e para o Brasil.  Na única saída que havia para o país "mudar", embora  antes da sua trágica partida,  não  me lembro de ter lido nada disso nas redes sociais. Nem mesmo  as pesquisas de intenção de votos, confiáveis ou não, indicava isso.  Na pesquisa Ibope, encomendada pela TV Globo e divulgada na última quinta-feira, 7, Eduardo Campos aparece em terceiro lugar na disputa, com 9% das intenções de voto. Mas, a morte "muda" a realidade.
   

        Negar que  Eduardo Campos  era ascendente na política nacional,  seria ignorância da minha parte, mas concordar com os que querem agora transformar o seu desencarne na morte do  país, é uma ignorância do ponto de vista  político e, para mim, é também  uma ofensa ao nome de Eduardo Campos, pois o que tentam fazer agora não é  o seu reconhecimento, e sim  homenagem póstuma. 

    Por outro lado, ainda assistimos o tratamento diferenciado, pois num acidente em que sete pessoas morrem  parte da mídia e parte dos  que integram as redes sociais  encara e/ou divulga  como se apenas um  tenha perdido a vida, o que  já demonstra  que  mais que solidariedade, se tem preferência. É como se as demais vítimas  também não fossem pai, filho, marido, irmão, amigo...

 Será que a  "família linda"  é só a de Eduardo Campos ? 

 Será que só os filhos de Eduardo Campos é que, infelizmente,  não vão ter mais o pai? 

Quantos sabem e/ou lamentam que  todos tinham filhos e esposas ?

Que também morreu um homem, cujo filho não vai conhecê-lo, porque ainda nem  nasceu?

 E talvez, quando crescer,  seja apontado como o filho do homem que "matou" Eduardo Campos. Sim, porque seu pai era o piloto, ou um dos pilotos. E não são sempre os pilotos, os "culpados" ?

   Afinal em  acidentes aéreos, as aeronaves nunca falham, a perícia   sempre  "apura"  erros humanos, o homem é falho, a máquina não. O
que parece o  resultado de  mais um  adágio popular, tão repetido  pela minha "filósofa costureira": a corda arrebenta do lado mais fraco.  

  Afinal, o interesse que está por trás  não é apenas o de  manter o conceito do transporte mais seguro do mundo, é também de não macular empresas, engenharia, controle de tráfico. Responsabilizar o piloto é a melhor saída, afinal ele nunca está para dar a sua versão, se defender. E nem a sua versão  e/ou   defesa estão   "garantidas"  na  tal caixa preta.


Não quero minimizar a dor, nem duvidar de sentimentos,  tampouco criticar apologias, declaração de voto ou preferência partidária de ninguém, seja   pré ou pós morte.  Cada um sente do seu jeito, expressa do seu jeito, vota em quem acredita.
Também  não  pretendo diminuir a  importância de Eduardo Campos no cenário político brasileiro. 
    Na verdade a minha indignação  é com relação à preferência, vísivel na  grande mídia ( e nas redes),  que grita  a  perda de  Eduardo Campos, e quase silencia com relação aos demais. Parece que o Instituto Médico Legal - IML  de São  Paulo é quem não pretende adotar tratamento diferenciado, visto que divulgou que fará a liberação dos corpos, ou do que restou deles, igualmente.

  E mesmo com a parcialiade com que se trata essa fatalidade, temos na fatalidade a imparcialidade, embora seja a imparcialidade da morte, que é a mais democrática de todas as visitas, de todos os convites de todas as viagens. Entra em todas as casas, "aflige"  todas as famílias, embarca todos os passageiros, independente de credo, sexo,  raça, posição social.  

   Alguns vão  mais cedo, outros mais tarde, se é que existe adiantamento ou atraso  no transporte do plano físico para o espiritual. Ela se apresenta as vezes serena, as vezes trágica, para alguns dolorosa  para outros indolor. Mas, para todos,  inexorável e deixando saudades.

     Muita  paz e luz  para Carlos Augusto Ramos Leal Filho, jornalista; Alexandre Severo Gomes e Silva,fotógrafo;  Marcelo de Oliveira Lyra, cinegrafista; Geraldo Magela Barbosa da Cunha, piloto; Marcos Martins, piloto;  Pedro Almeida Valadares Neto, assessor de campanha e Eduardo Henrique Acioly Campos, ex Governador de Pernambuco. Todos pais, filhos, esposos, irmãos e amigos.

    E aos  pais, filhos, irmãos  e amigos destes que se foram, desejo  conforto e coragem.






segunda-feira, agosto 04, 2014

Segunda-feira, 04 de agosto de 2014


HOJE...

...tristemente,  e sempre com saudades, relembramos que já se passaram cinco anos desde   que  a assistente social Edilene Jales, nos deixou.


ONTEM...

...o meu irmão Germano, celebrou mais um ano de vida. E que assim siga, por muitos mais anos, com alegria e saúde. Afinal  é o melhor que podemos ter.


LI...

...a carta enviada pelo  arquiteto Leônidas Andrade, no blog da jornalista Thaisa Galvão  na qual apresenta, com todo direito, a sua versão sobre o episódio da última quinta-feira, 31, quando ele   agrediu e causou lesões corporais, o prefeito de Portalegre, Neto da EMATER.
E, embora seja o prefeito de Portalegre que precise, inclusive fazer uma cirurgia no nariz, nos próximos dias, veja como o arquiteto começa sua defesa: 

"Em 09 anos como prestador de serviços para órgãos públicos (de todas as esferas) em todo o Nordeste brasileiro, nunca me deparei com uma situação parecida como essa, na qual tive que lidar com uma pessoa com nível tão alto nível de periculosidade e descontrole emocional."


PERICULOSIDADE?

 Tenho que pedir a Deus me  proteja, e  a todos os portalegrenses, da "periculosidade" de Neto da EMATER ? E alguém me presentei um Aurélio, nova  edição, porque, pelo visto, o meu está desatualizado, no significado da palavra.  


"Diante dos fatos, como não chegamos (eu e o prefeito) a um acerto relativo aos valores dos honorários empresariais, informei-lhe que a única solução seria eu retirar os serviços técnicos elaborados pela empresa."

ACERTO?

 Não  foi uma licitação? O preço não é "acertado" no processo licitatório?  E qual seria o acerto Sr. Arquiteto ? Ou melhor, de quanto (R$) seria o acerto ?  Não é possivel narrar ? Está nos autos da sua queixa ?


 "Neste momento, uma vez que restava apenas um dia para protocolar os serviços na Caixa Econômica Federal, o gestor municipal se exaltou e, primeiramente, ameaçou-me de rescindir o contrato com a empresa.
Eu o retruquei, informando-lhe que não haveria problema nenhum quanto a isso. Por observar que sua ameaça não surtiu efeito, o Prefeito (surpreendentemente) passou a me chamar de moleque.
Eu retruquei que ele é que era o moleque da história, pois, nos meus vários anos de prestação de serviços para órgãos públicos, nunca me deparei com reuniões com tão baixo nível de conversação."

BAIXO NÍVEL...

...de conversação? E não era "nível tão alto nível de Periculosidade"?  

ENCURRALADO ?

"Eu, já me dirigindo para a porta de saída (a qual estava bloqueada pelo Prefeito), virei para o mesmo e disse: “Já falei que moleque é o Senhor e não eu”.
Esse foi o estopim para que o Prefeito partisse para a agressão física. Ele segurou a gola da minha camisa e desferiu um soco na minha face esquerda, cujo impacto me fez dar dois passos em direção oposta à saída.
Pensei em fugir da sala, mas o gestor municipal ficou à frente da porta, com punhos erguidos (como se me esperasse para desferir mais socos)."

COMO ?

Se a discussão entre o Prefeito e o arquiteto foi  naquele  "cubículo" (chamo assim, porque aquilo alí não pode ser chamado de Gabinete) onde o Prefeito de Portalegre  despacha, esse rapaz não precisaria tentar chegar a porta da saída (que é a mesma de entrada) pois ao entrar no tal cubículo, qualquer visitante  fica exatamente  na porta de saída, sem riscos ou obstáculos ao querer sair. E o prefeito para  "obstruir" a saída, precisa dá a volta no seu birô e passar pelo visitante. E se o prefeito estava à porta, ele não precisava se virar para ele, pois já estaria de frente.
  Mas, detalhes como estes   só  uma polícia judiciária, como deveria atuar a Polícia Civil do RN (aliás é isso que a categoria defende, dentro a sua luta, fazer exatamente esse trabalho) é que se pode precisar  a veracidade da narrativa do arquiteto. 
Para mim totalmente sem lógica neste ponto, pois estive na tal sala, no último dia 12, e sei bem da "arquitetura" do lugar.


DESCONTRAINDO

 E com esses "dois passos" que o arquiteto relata, é provável que  tenha quebrado àquelas xícaras  transparentes (genéricas da louça duralex)  e a garrafa  de café que  ficam  não mais que  a dois passos da porta. Se quebrou, destruiu um patrimônio público, portanto.  Mas, parece que quebrar é com o arquiteto mesmo.


RESPONSÁVEL

  Como alguém que se apresenta tão responsável, com nove anos de prestação de serviço,  justifica o fato de ter entregue um projeto com menos de 24 horas  para a Prefeitura apresentá-lo na  instituição financeira, no caso a Caixa Ecônomica  Federal ? 
Quando aconteceu a licitação e qual o prazo  que a empresa ganhadora, no caso a do arquiteto, teve para a realização do Projeto ?


TEMPO

Aliás,  nem 24 horas foi, pois se o projeto precisava ser entregue até o dia 01 de agosto, conforme narrou o Prefeito e o próprio Leônidas e ele entregou a um assessor da Prefeitura na noite de quarta-feira, 30, a Prefeitura só teria mesmo 12 horas, se levarmos em conta o expediente bancário, de seis horas diárias. E é preciso levar isso  em conta.

"Uma vez que o referido mirante tem, aproximadamente, 2.325,54m² (dois mi trezentos e vinte e cinco reais e cinquenta e quatro metros quadrados de área construída), tendo minha empresa sido contratada através do Contrato Municipal Nº. 2014.06.25.0003, descobrimos que a empresa havia elaborado mais serviços do que a mesma foi contratada."

PORQUE...

...ao perceber que se tratava de um volume de serviço maior, como narra o arquiteto, ele não procurou resolver isso antes de elaborar o projeto, podendo inclusive desistir da licitação, ver a possibilidade de aditivo, ao invés de tentar negociar quando, ao seu favor, estava o tempo ?
  

M²  OU  R$EAL ?

"(dois mi trezentos e vinte e cinco reais e cinquenta e quatro metros quadrados de área construída) 
Tá confuso, né ? afinal é área ou  valor monetário ?


DEFESA

O arquiteto  Leônidas Andrade tem todo o direito de se defender, mas sua narrativa  deixa claro que valores (dinheiro)  além do licitado   foi realmente a razão para que ele, enquanto empresário, causasse alguns prejuízos ( pelo menos três) ao portalegrenses, com relação a obra e o prazo, ao Prefeito que  deixou de cuidar da sua função para cuidar dos ferimentos físicos, e a ele mesmo, como empresário e agressor, que certamente não está confortável nessa história.


AGORA...

...é seguir  em frente e deixar que  a Justiça faça a sua parte. E torcer para que situações dessa natureza não  ocorrem mais em Portalegre, nem em qualquer outro lugar. E que a cada dia  se crie no Brasil, mais e mais mecanismos de fiscalização  do uso do dinheiro público, para  que licitações  e pagamentos não apresentem brechas  que levem  pessoas a tentarem se locupletar com recursos do povo e valores além do que está contratado.



sábado, agosto 02, 2014

Sábado, 02 de agosto de 2014

SOLIDARIEDADE

Desde a última quinta-feira, quando foi vítima de violência, em seu Gabinete,  por parte de um prestador de serviços, que não concordava em receber o valor previsto e pactuado em processo licitatório, o prefeito Manoel de Freitas (Neto da EMATER) vem experimentando  o  que é solidariedade.

OS...

...portalegrenses  que vão a sua casa, mais que revolta  estão expressando o carinho que tem pelo Gestor, em visitas que não cessam. É o amor se posicionando maior que a violência.



HOJE...



...as 6:00h,  boa parte da população foi a casa de Neto da EMATER, para um momento de oração,  junto com ele, numa iniciativa das pessoas. Ouviu do Prefeito o agradecimento pelo apoio e carinho. "Não queria que  a violência fosse a razão para podermos estar juntos, neste momento, mas  gostaria de dizer que estou aqui, de pé, para continuar fazendo o que tenho que fazer, por Portalegre."   


THIAGO  DIAS

  O portalegrense e historiador Thiago Dias, ora em São Paulo onde estuda,  encaminhou ao  amigo Neto da EMATER, a seguinte mensagem:


 Querido amigo Manoel de Freitas.


Escrevo motivado pela indignação dos últimos fatos ocorridos. A violência pela qual você foi submetido é, pelo menos, de três ordens: ÉTICA, ao ser sugerido um tentativa de fraude  de um  processo licitatório público. MORAL, pelo afrontamento e pela convicção que alguns podem ter de que, todos os chefes do executivo municipal,  com quem alguns prestadores trabalham ou trabalharam, são iguais em suas posturas.  E a meu ver, e em menor prejuízo, no entanto, não menos grave, a VIOLÊNCIA FÍSICA perpetrada pela derrota de não poder manipular pessoas de bem, ou burlar a lei e modificar valores de uma obra licitada, na tentativa de receber o que não estava previsto.

    A agressão que você sofreu  corrobora o destempero e o caráter, no mínimo, duvidoso do agressor. No entanto,  mostra o compromisso que você tem com todos nós, com o cargo para o qual o elegemos, de não se locupletar, ou beneficiar outrem, ludibriando, fraudando, recebendo suborno e ou superfaturando obras públicas em benefício próprio e de prestadores.

 A violência  me parece um meio desesperado de quem precisa colocar para fora a indignação, ante um Prefeito que não tem como filosofia de trabalho, fraudar o erário público.  Afinal, super faturar obras e ganhar licitações por um valor e receber três vezes ou mais o valor,  pelo que vemos na mídia, ainda é  recorrente em Prefeituras e Governos no país, e particularmente, no nosso Estado, infelizmente.

    E diante dessa prática nociva, certamente alguns se perguntam: Como assim, o prefeito de Portalegre não ter a mesma postura?  Como ousa não fazer parte dos corruptos?

   Pois bem, peço, encarecidamente, que você não deixe isso passar em branco. Nem você, tampouco o legislativo portalegrense, o Ministério Público e a Justiça Civil.

Que a Câmara de Portalegre se posicione diante do fato, que leve a entidade dos Arquitetos, na sua instância ética, uma moção de repúdio pela violência causada por esse profissional, e que ele possa responder, profissionalmente, por isso, pois ali estava como profissional.

Que o nosso Ministério Público abra uma investigação sobre nas obras licitadas, na qual essa empresa atuou, junto aos entes públicos municipais, a fim de averiguar a lisura nos valores licitados e pagos.

Que você mova um processo civil embasado em todas as causas, que vão além da violência física. Profissionais dessa Natureza, Neto, o mundo está cheio, e precisamos esvaziar. Calar-se diante deles, sobretudo, quando se é violentado da forma como você foi, é ser conivente.  Sei que você não está passivo a isso e confio que levará a frente, mas gostaria mesmo era que você soubesse o quanto me sinto solidarizado e, mais do que isso,o quanto estou indignado com o episódio.

Desejo que esteja melhor dos ferimentos da carne. E espero que a dor física e moral lhe motive a busca pela justiça, para que atos dessa natureza não fiquem impunes. 
   Com muito carinho, admiração por sua integridade e trabalho.
 Abraço
Thiago Dias.

quinta-feira, julho 31, 2014

Noite de quinta-feira, 31 de agosto de 2014

OS FORTES E OS FORTES


     É assim que defino meus amigos, porque todos eles, homens e mulheres, são exatamente isso: fortes e fortes.  E com esse conceito encaminhei, através do facebook,  minha mensagem de confiança e de torcida a Manoel de Freitas Neto (Neto da EMATER) meu amigo  querido e, também, prefeito do meu  município:Portalegre, quando soube da agressão que sofrera, por volta das 10 horas, na sede da Prefeitura, da parte de um contratado.


MINUTOS...

..atrás, eram 17:45 horas quando escrevia, conversei mais longamente com Neto, por telefone, (que sem conseguir viver longe de Portalegre,  já estava retornando para sua casa e "para o lugar melhor do mundo" como ele classifica Portalegre) sobre os  detalhes da  agressão física, durante uma discussão com o arquiteto Leônidas Andrade Fernandes, contratado, através de licitação,  para elaborar o projeto de  reforma do Mirante Boa Vista,  no município.


COM...

...o prazo vencendo amanhã, 01 de agosto, para que a Prefeitura apresente todo projeto da obra à Caixa Econômica Federal,  a Gestão cobrou do responsável (L A F Arquitetura e Construção - Leonidas de Andrade Fernandes - ME) o qual  foi entregue somente na noite de ontem, 30,  e cujos recursos o arquiteto foi receber hoje, 31,  logo cedo. Demora para entregar,  pressa para receber.


ACREDITANDO...

...que poderia se  beneficiar com um valor além  do  licitado,  o arquiteto  não suportou ouvir do Prefeito que não receberia uma centavo a mais  do que o valor do processo licitatório,  orçado  em torno de R$ 3 mil, o que, certamente, deixou transtornado quem  queria receber  R$  10 mil, portanto achou  que violência  atenderia à ganância financeira.


ABRO...

 ...um parenteses para  dizer que ( e isso é uma opinião pessoal)   R$ 10 mil,  vem se tornando um  valor bem apreciado por alguns,  pois o episódio de hoje,  traz a  minha "excelente memória", ao meu HD jornalístico, outro bem semelhante  e que conheço, onde um indíviduo acreditava em lucro líquido fácil-fácil  (tipo aqueles conquistados com agiotagem) de recursos públicos, achando que tudo era como d'Antes, no quartel de Abrantes,  há treze anos.


MAS...

...defender a legalidade e  gerenciar corretamente  o patrimônio público custou, hoje, a Neto da EMATER, enquanto prefeito,   à violência física. Certamente isso aconteceu porque o seu agressor, não dispunha de argumentos jurídicos e legais para receber o que nunca esteve cotado para ser pago. Portanto, só lhe restou  à força do braço.


INFELIZMENTE...

... dentre os inúmeros telefonemas que recebi, aonde pessoas de Portalegre  me relatavam  que alguns  comemoravam o fato, inclusive usando a expressão "quebraram a cara de Neto",   perguntaria: 

 Quem realmente ficou de cara quebrada  nesse episódio ? 

Neto, que foi vítima? que prestou queixa ? que fez exame de corpo de delito?

  Ou esse cidadão  que, talvez,  pensando em se locupletar com corrupção, nivelando prefeitos por baixo,  tudo que conseguiu foi uma prisão em flagrante e, certamente, um processo  para responder ?

APANHAR...

... fisicamente, nem sempre dói mais que a  vergonha e o arrependimento pelos atos intempestivos e agressivos praticados. 
   Consciência e travesseiro todo mundo tem, mas só usa quem pode.


DISSE...

...a uma interlocutora minha,  quando me falava da sua angustia com essa comemoração, por parte de alguns em Portalegre, ela que viveu de perto o episódio,  que, nem ouvisse  tais comentários, pois uma  criatura cuja felicidade se alicerça num ato de violência,  é alguém digno de pena, porque trata-se de  um ser que deve desconhecer totalmente o que é alegria de verdade. 
Sem contar que com isso apenas demonstra  a possibilidade de ser portador de uma doença, por sinal triste e perturbadora, chamada sadismo que nada mais é que excitação e prazer provocados pelo sofrimento alheio.


PARA...



...  Neto da EMATER, o meu carinho e solidariedade de sempre. Para o Prefeito do meu município que já está chegando em casa e pensando nas suas tarefas de amanhã, a minha admiração.

    E lembrar que a nossa conversa de ontem e de hoje pela manhã, foi justamente voltada para a realização de projetos que possibilitarão a formação de cidadões melhores (através da leitura, da cultura, do lazer) que o arquiteto da manhã.



NO MAIS...

...é dizer aos  Prefeitos  do RN, especialmente da região Oeste que tenham cuidado com o referido arquiteto quando este micro-empresário,  for  vencedor de uma licitação em seus municípios, pois ao que parece o  tal profissional  vende o seu serviço por "X", de forma legal, numa licitação, mas   quer receber 3 vezes e meia X.  
   Ao que parece ele coloca todos os gestores na vala comum  da corrupção e é partidário do "ou paga ou apanha". Nem tudo nele pode ser  sorriso e simpatia.

                                          foto: http://buscatextual.cnpq.br

                        





quarta-feira, julho 23, 2014

QUARTA-FEIRA, 23 DE JULHO DE 2014


http://www.viomundo.com.br/denuncias/galeano-pouco-pouco-israel-apaga-palestina-mapa.html

Galeano: Pouco a pouco, Israel está apagando a Palestina do mapa


publicado em 22 de julho de 2014 às 16:10
Eduardo-Galeano
palestina - galeano-001

 por Eduardo Galeano (*), em Esquerda.Net , Carta Maior 

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.
Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.
Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros.
Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar Irlanda para liquidar a IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência ‘manda chuva’ que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.
Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.
(*) Artigo publicado no Sin Permiso.
Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net.

quarta-feira, julho 09, 2014

Noite de 09 de julho de 2014

http://www.clubedejazz.com.br/noticias/noticia.php?noticia_id=338#topo
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Drummond escreveu este texto para o Jornal do Brasil logo após a eliminação da seleção brasileira diante da Itália na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. Nada mais atual e oportuno o lirismo de nosso maior poeta para enaltecer a vida como a maior dávida do ser humano, muito além das Copas e dos grandes negócios.
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Perder, ganhar, viver
*Carlos Drummond de Andrade ( Jornal do Brasil, 21 de julho de 1982)

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas...


Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.


Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. 
 Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.


Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. 

Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.



Carlos Drummond de Andrade  (Poeta e escritor brasileiro (1902-1987))